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19 de maio de 2015

Na comissão da reforma política, Dorinha pede respeito ao papel da mulher 

Durante a reunião da comissão especial que trata da reforma política, nesta terça-feira, 19, a deputada Professora Dorinha (Democratas/TO) pediu respeito ao papel da mulher. “O colegas deputados falam que o relator Marcelo Castro (PMDB/PI) é sempre atencioso e ouve bastante, só não tem escutado a nós mulheres. Em todas as mudanças que ele tem apresentado, tem alterado diversas medidas procurando atender ao plenário. Ouve a todos, mas escuta apenas alguns”, disse Dorinha.

Foto: Divulgação
Dorinha durante a reunião: “Nosso país ocupa posições vergonhosas no ranking de participação feminina na política"

A democrata fez um apelo ao relator para que as mulheres fossem escutadas. “Nosso país ocupa posições vergonhosas no ranking de participação feminina na política, perde até para alguns do oriente médio onde o autoritarismo comanda e a violência contra a mulher, que é obrigada a usar burca, é extrema. Os números do Brasil não condizem com a nossa realidade, com o tamanho da população feminina e com a nossa capacidade. Precisamos ser ouvidas”, afirmou.

Dorinha disse que vários parlamentares faltaram com o respeito em relação à manifestação por mais mulheres na política no plenário. “Gostaria de dizer a esses deputados que nos respeitem. Nós temos um trabalho digno, servimos para fazer campanha e votar em homens, somos mais de 70% do eleitorado. Se há deputados homens hoje, é porque mulheres votaram neles”, disse.

A parlamentar citou ainda que a sociedade brasileira é desigual, há cotas em várias áreas visando a equidade e o que as mulheres querem hoje é a igualdade. “Estamos cansadas de andar pelos municípios e ouvir das lideranças que só têm mulheres compondo candidatura de fachada. Não queremos favores, mas espaço numa situação momentânea de desigualdade, para garantir que mais mulheres possam chegar nas casas legislativas municipais, estaduais e no Congresso. Políticas afirmativas são constitucionais e as mulheres precisam sim de uma atenção diferenciada. Somos poucas na Câmara, mas 51 votos fazem diferença nessa Casa”.

“Quando aprovamos a proposta da deputada Luisa Erundina (PSB/SP) em apoio a mais mulheres na política, alguns deputados disseram para buscarmos as panelas, como se nosso lugar fosse na cozinha. Esses deputados não honram a Casa que representa, não honram suas eleitoras”. Dorinha reforçou o apelo ao relator da reforma política para que escutasse a reivindicação da bancada feminina da possibilidade das mulheres estarem mais presentes na política. “Queremos cotas temporárias, não temos fundo partidário, as candidatas são “laranja” apenas para cumprir cota de candidatura”.

A parlamentar disse ainda que a bancada quer ouvir formalmente a posição de cada partido em relação à cota para mulheres. “Estamos cansadas de servir somente para fazer campanha, puxar bandeira e pedir voto para homens. Nosso papel, no pensamento dos deputados, acaba aí. Mas não é assim, nós queremos estar no lugar de decisão, merecemos participar das decisões desse País, não somos só números”, disse.

Reforma política
O relatório deverá ser votado na próxima segunda-feira, 25. A votação será finalizada durante o dia na terça-feira, 26. Para a noite de terça, está prevista a votação pelo Plenário da Câmara dos Deputados. O relator Marcelo Castro não atendeu a reivindicação da bancada feminina sob a justificativa de que inconstitucionalidade.

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